CUIDADOS DIETÉTICOS NA PREVENÇÃO E NO TRATAMENTO DA PERDA ÓSSEA: OSTEOPOROSE
A osteoporose é considerada a epidemia silenciosa do século XX, com uma grande incidência populacional mundial, sendo que de 40% a 70 % dos casos são diagnosticados após uma fratura por fragilidade dos ossos, tanto massa óssea mais mole assim como dos ossos corticais mais duros.
No Brasil, com cerca de 22 milhões de idosos (acima de 60 anos em 2014), 2/3 da população sofrem de fragilidade óssea do idoso, por perda da massa óssea total. Cerca de 45 % tem osteopenia e 14 % tem osteoporose.
Prevenção
Os exercícios físicos contra a gravidade e principalmente uma dieta adequada a ser iniciada precocemente, são da máxima importância.
Alimentos
Leite e laticínios (leite de vaca, leite de cabra, iogurte), queijos não curados (tipo minas-branco), peixes, principalmente a sardinha e peixes de águas profundas (salmão livre ou em cativeiro, cherne, congrio, badejo) e verduras e legumes ricos em carotenóides devem se tornar presentes na alimentação diária.
Exercícios físicos (caminhadas, com halteres) 40 min a 60 min 3 vezes por semana. Os ossos se fortalecem na medida que são exigidos para sustentar um corpo que se movimenta. Exercícios bem realizados também resultarão numa musculatura saudável, que servirá de proteção e complemento ao esqueleto. Há quem preconize que somente exercícios de impacto resultem em fortalecimento ósseo, mas é preciso sempre ter o bom senso de que é mais importante manter-se em movimento do que sobrecarregar as estruturas do corpo, com o risco de lesões que ao invés de ajudar podem causar períodos de imobilidade. Assim sendo, todos os exercícios têm a sua utilidade. Caminhadas, natação, alongamentos, musculação. Todas essas atividades, assim como a dança, jogos e outras atividades lúdicas, também ajudam a melhorar o equilíbrio, outro cuidado importante para evitar quedas.
Exposição ao sol – durante 20 min a 30 min. Entre 10h e 12 h –diária (para formação da vitamina D).
Cuidados dietéticos: Além dos alimentos já mencionados, indicamos alimentos ricos em cálcio, vitamina D e vitamina A.
Os alimentos chamados de “carotenoides” são da máxima importância na prevenção e no tratamento da perda óssea por possível fragilidade do arcabouço esquelético. Os carotenoides são existentes nas verduras e leguminosas de cores vivas (amarelo, vermelho, verde escuro).
Existem vegetais coloridos, mais de 900 tipos, que o nosso organismo transforma em vitamina quando ingeridos, e que contêm substâncias contra radicais livres e têm também minerais, necessários ao nosso organismo.
Os carotenoides são importantes não somente pelos elementos minerais que contêm, mas também por agirem na fotossíntese.
Contêm betacaroteno, alfacaroteno, licopeno, zeaxantina e principalmente a criptoxantina , sendo que esta última, além de antioxidante, é precursora da vitamina A em nosso organismo.
Trabalhos recentes demonstram que a criptoxantina tem ação de bloqueio sobre o rank-l (fator kappa pertencente à família dos TNFs) que estimula ação do osteoclasto na reabsorção óssea.
Em idosos, esta vitamina A tem efeito protetor da perda óssea. Tais trabalhos mostram que a utilização de carotenoides na alimentação diária por nove anos reduziu em indivíduos acima dos 60 anos, ou seja, de idosos, a porcentagem de fraturas e diminuiu acentuadamente a perda óssea, evitando as fraturas por fragilidade óssea. Aos idosos que têm “síndrome metabólica”, aumento do peso, hipercolesterolemia, hipertriglicidemia, propensão ao diabetes tipo 2, a dieta denominada “dieta do mediterrâneo”, com carotenoides, incluindo vegetais e frutas, uso de óleo de oliva, prolonga a vida e diminui o colesterol circulante. Evitam assim os acidentes tromboembólicos por aterosclerose.
As verduras com folhas escuras (couve, brocolis, espinafre) são ricas, além dos carotenoides, em ferro e cálcio, úteis na prevenção e no tratamento da osteopenia e da osteoporose.

A cebola, assim como o alho, teve sua origem na Índia, sendo que, independentemente de sua coloração, contém quercetina e tem ação antioxidante. Uma cebola contém 875 ml de água e proteínas úteis ao nosso organismo. A cebola contém ainda sulfureto de alil que não deixa elevar o colesterol circulante. A imunidade celular tem uma melhora acentuada com o uso dos carotenoides e da cebola.
Para o indivíduo acima dos 60 anos de idade, os carotenoides, a cebola, as verduras de folhas escuras, associados ao uso de leite e laticínios, irão melhorar a qualidade de vida e prevenir a perda óssea.